Por Zé Rodolfo
Recentemente faleceram Amy Winehouse e Whitney Houston, duas belas vozes que silenciaram entristecendo muita gente. Outros diversos ótimos artistas morreram cedo: Janis Joplin, Elis Regina, Cássia Eller, Kurt Cobain…. Essas mortes tem sido atribuídas ao abuso de drogas, e de fato muitas delas aparentemente guardam relação com a questão, entretanto não atribuiria as drogas como causa única destas mortes.
Muitas questões colaboram para o sofrimento de artistas e algumas merecem reflexão coletiva. Artistas, assim como intelectuais, tem como requisito para sua função a livre criação e a possibilidade de plasmar em suas obras crises, dilemas, sentimentos e tudo o mais que particulariza a ação humana como ação singular sobre a realidade. A utilidade social da arte assim como sua base fundacional remetem a transcendência, entretanto não são por esse motivo descolados da realidade objetiva .
Contraditoriamente mesmo a música, dança ou pintura menos engajada deve ser considerada participe do movimento da realidade sofrendo os rebatimentos da história e fazendo a própria história.A superexposição de artistas e em particular músicos é fenômeno recente. Esta superexposição é uma condição fundamental a produção de superlucros e a acumulação de grandes capitalistas da Arte.
A pressão pelo “sucesso” não se refere a capacidade de abstração e êxito do processo de criação artística mas a capacidade de manter o nome nos holofotes. Aos altos salários de estrelas correspondem alta possibilidade de obtenção de lucros pelo “show business “ e a alta “alienação” de artistas que vêem sua produção ser esvaziada da utilidade social precípua da arte que é de ampliar as possibilidades imaginativas. A busca pelo sucesso, as tentações hedonistas da época atual, a alienação da vida dos artistas que se tornam atrações mais relevantes que sua produção.Muitos são os elementos envolvidos.
É necessário considerar componentes culturais diversos como a convivência pacifica com o uso de drogas em alguns círculos artísticos e a inclusão do uso de substancias até mesmo no processo de criação de alguns artistas. Entretanto não pode se atribuir mecanicamente as mortes a cultura progressista que convive com o uso de drogas sem barreiras morais de monta como no conjunto da sociedade, ao contrário a proibição impede a discussão aberta do tema assim como o estabelecimento dos limites entre usos e abusos de drogas.
Enquanto existir o proibicionismo, a cultura de ídolatria e a conversão da criação artística e da vida de seus autores em mercadoria persistirá a tragédia nos quais artistas ímpares de sensibilidades afloradas e com almas eufóricas continuaram a morrer.
” A arte verdadeira, a que não se contenta com variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar uma expressão às necessidades interiores do homem e da humanidade de hoje, tem que ser revolucionária, tem que aspirar a uma reconstrução completa e radical da sociedade, mesmo que fosse apenas para libertar a. criação intelectual das cadeias que a bloqueiam e permitir a toda a humanidade elevar-se a alturas que só os gênios isolados atingiram no passado”
León Trótsky
















