Em greve de fome, o ativista Pedro Rios clama pela indignação contra o massacre de Pinheirinho.

caio.amorim janeiro 31, 2012 0

 

Pedro Rios acorrentado. Ao fundo sede da central de jornalismo da Globo / Fotos: Caio Amorim

Nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar - Em greve de fome e acorrentado em frente à Central de Jornalismo da Rede Globo desde 18h de domingo (29/01), Pedro espera conseguir sensibilizar a sociedade através da repercussão pela internet em contraponto ao silêncio da mídia corporativa.

Na tarde de domingo, dia 29 de janeiro de 2011, Pedro não conseguia mais ficar em casa sem fazer nada, depois de ver, e documentar (assista aqui ao curta “Eu queria matar a presidenta” que até o momento já foi visto mais de 48mil vezes e teve a aprovação de 1029 pessoas contra 37 que clicaram em “não gostei” no youtube, fato comemorado por Pedro) o massacre aos direitos humanos dos moradores de Pinheirinho, expulsos pela PM de São Paulo e Guarda Municipal de São José dos Campos.

Resolveu fazer a única coisa que achou que poderia fazer. Indignado com a cobertura da mídia hegemônica, especialmente a Globo – que tratou os moradores de Pinheirinho como criminosos – se algemou a um canteiro em frente à Rede Globo, na esquina da Rua Von Martius com Pacheco Leão, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. Ali ele ficará sem comer até que obtenha alguma resposta positiva para os moradores de Pinheirinho.

Cartazes de protesto contra o massacre de Pinheirinho na tenda montada pelos apoiadores de Pedro Rios

Diversos apoiadores e militantes, amigos e desconhecidos, estão diariamente junto com Pedro, seja fazendo revezamento para que ele possa dormir, garantindo sua segurança, seja escrevendo cartazes de protesto e colando na tenda instalada no local, seja postando fotos nos perfis de facebook. O vaivém é grande, mas em média, ficam cerca de 20 pessoas no local. Também é comum pessoas que passam de carro ou de ônibus dando palavras de apoio: “Força aê, irmão!” “Tamo junto por Pinheirinho!” “Você é Foda!”, alguns gritam efusivos, sinal de que aos poucos, a internet e a mídia alternativa vão quebrando o bloqueio da mídia hegemônica.

De vez em quando, algumas viaturas da Polícia Militar do Rio de Janeiro passam em frente, com os policiais olhando “despretensiosamente” para o ato, vão até à esquina, conversam entre si, sai um homem da rede Globo, conversa com eles por cerca de dez minutos e volta para a sede da Globo… Por enquanto, tudo tranquilo.

Inicialmente, o plano era ficar uma semana em greve de fome, mas Pedro está disposto a ficar em jejum até que consiga algum retorno, seja a mobilização das pessoas pela internet pressionando o governo de São Paulo, seja ajudando a mobilizar as pessoas para não esquecerem e protestaram contra a barbárie de Pinherinho. O cineasta e estudante de jornalismo da UFRJ diz fazer o máximo para que esse caso não seja abafado. “A polícia entrou cantando ‘O Pinheirinho é nosso Ah Há, Hu Hu ’, quando cheguei lá na segunda, a invasão já tinha acabado, mas a raiva deles (PM) era tanta que eles continuaram a perseguir as pessoas na rua, eles ficaram dias, perseguindo eles na rua, matando a galera na rua.” – relata indignado.
Conversamos na noite desta segunda-feira (30/1), confira o vídeo abaixo:

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