Algumas reflexões sobre a reação à ocupação da USP
Que horror esses maconheiros da USP, néam? Eles me deixaram tão revoltada, que só tomando um rivotril pra me acalmar… Fala sério, hipocrisia! Somos campeões na venda de remédios tarja preta e apontamos o dedo pro baseado alheio. Viva os rebelados da USP, sejam maconheiros ou não. Aproveitando o ensejo, viva as putas e as bichas tb!
Pergunta que não quer calar: as pessoas que estão fazendo seus julgamentos sobre o movimento da USP apenas com as informações dadas pela mídia gorda também acreditam em duendes e Papai Noel?
Você que compra DVD pirata, baixa filmes e músicas no seu computado, tira xerox de livros e dirige tendo bebido não me venha defender, em nome da legalidade, a repressão violenta e a punição dos estudantes da USP
Dizem que drogas geram alienação, indiferença, comodismo… Assim sendo, me pergunto quem tá drogado no momento? Os maconheiros rebelados da USP ou os anestesiados que assistem na poltrona da sala o mundo passando na TV e formam assim suas brilhantes opiniões: “baderneiros”, “desordeiros”, “desocupados”?
Adriana Facina é antropóloga e professora do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Coordena o Observatório da Indústria Cultural e figura entre o(a)s principais pesquisadores de favelas e cultura popular, além de ser uma importante ativista social.
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