Inclusão: Desafio para o século XXI no Brasil
A inclusão das pessoas com deficiência física, das mais diversas, se converteu num problema relacionado também às políticas públicas, objetivando assim a entrada no sistema escolar público e privado de milhares de jovens em condições plenas de sociabilidade e compreensão pedagógica. O problema se tornou grave diante dos obstáculos postos pela ofensiva neoliberal que ainda persiste em alguns setores da sociedade brasileira, inclusive autoridades públicas. A exclusão em nosso país é ancestral. Remonta à colonização, atravessou o império, sobretudo neste período com a farsa liberal, e atingiu a república.
O problema da inclusão das pessoas com deficiência tornou-se a derradeira cidadela reacionária para a defesa dos privilégios inconfessáveis. Os conservadores não sossegam diante da horizontalidade, da perspectiva, por mais distante que seja, da igualdade de condições na luta pelas oportunidades. Ao contrário, preferem apostar tudo contra o povo. Mais uma vez, como no caso das cotas sociais e raciais, a sociedade brasileira saberá se mobilizar e dizer um não a tudo isso. Precisamos reverter este quadro.
Insisto, mães por este Brasil choram a educação pública de seus filhos. A construção de um país livre e democrático depende disto, da emergência do novo.
Quero crer que a luta de milhares, de milhões de pais e mães não será em vão. Teremos mais um capítulo da luta do povo brasileiro contra os seus algozes. A questão da diversidade precisa ser vivida nas salas de aula não como uma discussão teórica e distante dos alunos, mas no cotidiano escolar, na prática docente e discente. Ela deve ser enfrentada num ambiente de plena socialização. E acrescento a escola é o lugar por excelência da liquidação das discriminações. Sem mediações perversas, e controle social espúrio. O professor é soberano no seu dever de ensinar, e um agente transformador na sociedade.
O movimento pela Inclusão agora e já, está representado em todo o território nacional. Não podemos aceitar lobbys daqueles que usam as suas pastas para brecar as conquistas, ainda que pequenas, do povo sofrido. Isto é inaceitável. O cargo público pertence ao povo e em nome dele deve ser exercido.
Esta luta é de todos, a de reverter a prisão invisível de milhões de brasileiros. Inclusão Já. Escola Já.
Oswaldo Munteal é professor de história na UERJ, Facha e PUC-Rio. Pesquisador da FGV, coordenador do grupo de pesquisa Núcleo de Identidade Brasileira e História Contemporânea (NIBRAHC)
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